Ansiedade na volta às aulas pode ocorrer em pais e filhos
Ansiedade na volta às aulas pode ocorrer em pais e filhos
Saúde e Bem-Estar -
Após um longo período com as aulas a distância, crianças e jovens estão voltando às aulas presenciais, mesmo que de forma gradativa. Como toda mudança repentina, o aspecto psicológico é uma questão que deve ser observada por pais e responsáveis, uma vez que a pandemia da Covid-19 trouxe uma alteração brusca na rotina de todos.
No caso dos mais jovens, o fenômeno é complexo e multifacetado. É o que explica o Dr. Hercílio Oliveira Jr., gerente médico do Grupo NotreDame Intermédica. Por se tratar de uma questão de cunho pessoal e que afeta crianças e adolescentes de forma diferente, o comportamento deve ser observado de perto neste momento de regresso.
“Nós temos uma série de preocupações, evidências e sentimentos que, como profissionais da saúde e como pais, nos levam a ficar muito preocupados”, pondera. “O componente que nos angustia mais é o fato do isolamento prolongado: achar que as crianças perderam um pouco do hábito de convivência com pessoas da mesma idade e professores. O próprio processo de aprendizado ficou prejudicado”.
1. Pais também são afetados por este período
2. Risco entre crianças também gera ansiedade
O que muitos não levam em consideração é que, nessa situação, os pais também podem apresentar problemas psicológicos com a volta às aulas. Enquanto alguns têm receio de enviar o filho para o retorno presencial – por medo das crianças se tornarem vetores da Covid-19 na família ou, elas mesmas, contraírem o coronavírus – outros também se veem num dilema, já que alguns são profissionais de serviços essenciais ou não puderam adotar o home office.
“Os pais ficam pressionados por um esforço duplo: se afastar das crianças e, também, de regressar a uma realidade que eles também estiveram ausentes por algum tempo”, conta Hercílio.
A ruptura com o modelo prévio de vida, durante a quarentena, ocasionou numa aproximação maior entre pais e filhos. Por um lado, isso foi bom. Por outro, conta o especialista, essa ruptura atual se tornou motivo de angústia.
Hercílio aponta, também, um fator que pode gerar receio no envio das crianças ao presencial: o número de óbitos, raro, mas crescente entre os pequenos de zero a nove anos de idade.
Segundo dados do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe) e compilados pelo Estadão, até maio deste ano 948 crianças haviam morrido em decorrência da Covid-19. Em março, esse número era de 779. Para o gerente médico, esses números afetam tanto pais quanto jovens.
“Ao mesmo tempo que projetamos a necessidade da volta das crianças à escola, temos esse receio que uma população adulta, não vacinada em sua totalidade, possa transmitir a Covid-19”, reflete. “Felizmente, a vacinação em professores tem sido priorizada”.
O principal conselho, recomenda o gerente médico, é estar próximo dos pequenos nesse regresso. E isso significa um acompanhamento comportamental, assim como diálogo próximo com professores e diretores das escolas. Assim, qualquer mudança poderá ser observada.
“Muitas crianças têm dificuldade nesse primeiro passo e desenvolvem o ‘transtorno de separação dos pais’. O contexto de isolamento social, da mesma forma, é sofrido e algumas também já foram afetadas previamente por isso. Existem muitas nuances”, pondera Hercílio. A verbalização e o sentimento negativo ao voltar à escola deve, sim, ser observado. Pode ser um receio ou, até mesmo, um início de sinal de depressão, por exemplo.
O GNDI possui uma estrutura de acolhimento especializada nesses problemas comportamentais entre crianças e jovens. É o Núcleo de Terapias Integradas ABC, em São Bernardo do Campo, que foi inaugurado em 2021.
“Nós temos o acolhimento psicológico, que funciona todos os dias da semana. Temos também a psiquiatria infantil, se necessário entrar com medicação. Possuímos uma neuropediatra que pode avaliar aspectos físicos e específicos dessa criança. E uma assistência multiprofissional para nossos beneficiários, caso seja necessário para a criança uma integração social”, detalha Hercílio.
As idades que podem exigir mais esse tipo de atenção, detalha, é justamente entre zero e quatro anos de idade, por conta do desenvolvimento cognitivo e da fragilidade de saúde das crianças que estão nas creches.
Já a partir dos quatro anos de idade, o aspecto comportamental deve ser observado como já ressaltado anteriormente. “Nos adolescentes, principalmente, o desafio nesta idade de formação é compreender a sensação que estes jovens têm em meio a uma pandemia, assim como o que tem sentido neste momento de incertezas”, conclui Hercílio.
Fonte: Hercílio de Oliveira Jr. – gerente médico do GNDI
Responsável pelo Conteúdo:
Dr. Rodolfo Pires de Albuquerque
CRM: 40.137
Diretor Médico do Grupo NotreDame Intermédica